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Amazônia perdeu 18 árvores por segundo no ano passado

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* Desmatamento cresceu 20% no Brasil em 2021, revela MapBiomas
* Área destruída desde 2019 equivale ao estado do Rio de Janeiro
* 70% do desmate no país ocorre em propriedades privadas

Foram desmatados 16.557 km² (1.655.782 hectares) de vegetação nativa em todos os biomas brasileiros em 2021, um aumento de 20% em relação ao ano anterior. A informação é do projeto MapBiomas, que divulgou nesta segunda-feira (18) o Relatório Anual de Desmatamento no Brasil. Os dados consolidados a partir de 2019 revelam que, em apenas três anos, o país perdeu uma área de 42,5 mil km² de mata nativa, equivalente ao território do estado do Rio de Janeiro (43.696 km²).

No ano passado, a maior parte do desmatamento ocorreu na Amazônia (59% do total) e no Cerrado (30,2%). Mas a destruição aumentou em todos os biomas brasileiros. A destruição cresceu 92% no Pampa, seguido pela Caatinga (89%), pela Mata Atlântica (27%), pelo Cerrado (20%), pelo Pantanal (16%) e pela Amazônia (15%).

O Brasil perdeu 4.536 hectares de vegetação nativa por dia, ou 189 hectares por hora, em 2021. De acordo com o levantamento do MapBiomas, somente na Amazônia foram desmatados 111,6 hectares por hora ou 1,9 hectare por minuto, o que equivale a cerca de 18 árvores por segundo.

O MapBiomas avaliou cada alerta de desmatamento feito pelo Deter (Sistema de Detecção de Desmatamentos em Tempo Real), do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), em todo o território nacional. Depois cruzou com o Cadastro Ambiental Rural (CAR), com as áreas protegidas no país – como as unidades de conservação e terras indígenas – e com autorizações dadas pelas autoridades ambientais. Esse cruzamento apontou indícios de irregularidades em mais de 98% dos alertas de desmatamento.

De acordo com o levantamento, 69,5% do desmatamento ocorreu em propriedades privadas, 9,3% em áreas públicas não destinadas e 5,3% em áreas protegidas. Apesar de apontar a responsabilidade dos produtores rurais – que são obrigados a preservar as áreas de Reserva Legal e as Áreas de Preservação Permanente (APPs) em seus imóveis –, o MapBiomas revela que o desmate foi praticado por uma parcela mínima deles. Foram 59.181 imóveis com desmatamento detectado em 2021, número que representa somente 0,9% das propriedades rurais cadastradas no CAR – 6,4 milhões de imóveis estão inscritos.

A análise feita pelo MapBiomas das ações realizadas pelos órgãos de controle ambiental para conter o desmatamento ilegal aponta que os embargos e autuações realizados pelo Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais) e ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade) atingiram apenas 10,5% da área desmatada entre 2019 e 2021.

“Para resolver o problema da ilegalidade é necessário atacar a impunidade — o risco de ser penalizado e responsabilizado pela destruição ilegal da vegetação nativa precisa ser real e devidamente percebido pelos infratores ambientais”, explica Tasso Azevedo, coordenador do MapBiomas, uma rede colaborativa, formada por universidades, ONGs, startups de tecnologia, que produz mapas anuais de uso e cobertura da terra com base em imagens de satélite.

De acordo com o levantamento, a agropecuária é responsável por 97,8% do desmatamento no território brasileiro. É seguida pelo garimpo (0,65%), pela expansão urbana (0,2%) e pela mineração (0,1%).

De cada quatro hectares desmatados no Brasil em 2021, um foi no Pará, onde o desmate alcançou 402.492 hectares (24,3% do total). Em seguida aparecem o Amazonas (11,8%), o Mato Grosso (11,5%), o Maranhão (10,1%) e a Bahia (9,2%). Juntos, esses cinco estados responderam por 67% da área desmatada no Brasil em 2021.

Clique aqui e leia o Relatório Anual de Desmatamento 2021 do MapBiomas.

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