Savanização da floresta

O desmatamento acelerado e os incêndios na Amazônia ameaçam transformar a floresta numa savana. A paisagem exuberante, tropical e úmida pode virar um ambiente com árvores espaçadas, mata rasteira e poucas chuvas. Há três décadas os cientistas alertam para o risco de savanização.
Os cálculos iniciais, baseados em modelos climáticos, indicavam que o tipping point – o ponto de virada – aconteceria quando 40% da floresta fosse desmatads. O cientista brasileiro Carlos Nobre e o britânico Thomas Lovejoy revisaram essas contas e apontaram que o momento crítico acontecerá quando a destruição atingir 20% da vegetação nativa.
Já foram destruídos 17% do bioma, segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Em artigo publicado na revista Science Advances em dezembro de 2019, Nobre e Lovejoy alertaram: “Já chegamos ao ponto crítico da Amazônia”. No texto, defenderam que o desmatamento seja interrompido imediatamente e que tenha início um projeto ambicioso de reflorestamento. Além de destruir a biodiversidade, a savanização da floresta lançará uma quantidade enorme de carbono estocada na vegetação nativa.
Levantamentos apontam que a parte sul e sudeste da Amazônia já estaria virando savana. Nessas áreas a estação seca está entre três e quatro semanas mais longa. Pesquisadores constataram mudanças na flora e a fauna — há relatos de avistamento de lobos-guarás, animais típicos do Cerrado, em áreas degradadas da floresta. Apesar dessas informações, alguns cientistas contestam o risco iminente e afirmam que a capacidade de recuperação da floresta garantirá a sobrevivência do bioma.

 

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