ESG

Izabella Teixeira: “O Brasil precisa deixar de ser o país do ‘green wishing'”

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Os políticos e as autoridades brasileiras ainda veem a Amazônia com uma perspectiva do século passado. A maioria deles acredita na necessidade da exploração pura e simples das riquezas da floresta, sem ligar para a preservação da mata nativa, para a prosperidade e bem-estar das populações locais e para a importância que bioma tem para o país e o planeta, afirmou Izabella Teixeira, co-chair do Painel Internacional de Recursos Naturais da ONU Meio Ambiente.

Para a ex-ministra do Meio Ambiente (2020 a 2016), a discussão sobre a Amazonia requer “um novo olhar, uma nova mentalidade, uma nova perspectiva”. Nova abordagem que é fundamental para o enfrentamento das mudanças climáticas e para evitar as ameaças à biodiversidade do bioma. Em sua avaliação, precisamos adotar um modelo de desenvolvimento que seja aliado da natureza, não contra ela.

A importância da Amazônia, afirma Izabella Teixeira, extrapola o seu papel como elemento decisivo da estabilidade climática global. Ela cita como exemplo o papel da floresta na segurança hídrica do país – é sabido que, por meio dos rios voadores, o bioma garante chuvas para as regiões Centro-Oeste, Sul e Sudeste. “Vivemos um momento disruptivo. A ciência vem apontando há anos, para o mundo político, o mundo de negócios, o mundo financeiro e o mundo da inovação que nós precisamos mudar nossa relação com a natureza”.

Para a ex-ministra, é hora de o Brasil deixar de ser o país do “green wishing”, que anuncia sua intenção de adotar um modelo de desenvolvimento sustentável, mas que sempre adia as decisões necessárias para esse caminho. Em sua visão, é hora de o país adotar projetos como o Amazônia 4.0. O projeto, criado por pesquisadores brasileiros, prevê investimentos em tecnologia de ponta e na capacitação dos povos locais para gerar desenvolvimento econômico, inclusão social e preservação da biodiversidade.

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