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Em Milão, evento conecta brasileiros, britânicos e italianos em prol da sustentabilidade

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Como suprir as necessidades de consumo hoje sem comprometer o meio ambiente e o futuro das próximas gerações? A resposta está na sustentabilidade, uma pauta urgente e que está no foco de organizações no mundo todo. Com o propósito de inspirar e criar mudanças para redesenhar o pensamento sustentável, o evento Hub-E conectou em Milão importantes players de Brasil, Itália e Reino Unido.

Evento realizado durante a pré-COP26 (a Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas, que aconteceu em novembro do ano passado), o Hub-E teve o apoio da Câmara de Comércio Britânica e foi concebido e construído a partir dos pilares do Instituto-E — os 6 e’s, earth, environment, energy, education, empowerment e economics que, em português, são Terra, meio ambiente, energia, educação, empoderamento e economia. 

Conectar, reunir prática e conhecimento de áreas distintas fazem parte da missão do Instituto-E e foram também o cerne do encontro, realizado no hotel Magna Pars l’Hotel à Parfum, no centro da cidade que é considerada a capital mundial da moda e do design.

Um dos participantes foi Oskar Metsavaht, o nome por trás da Osklen, artista plástico, guardião da Amazônia, embaixador da Unesco e um dos fundadores do Instituto-E, formado por um grupo interdisciplinar, de trajetórias distintas, egressos do setor privado, público e do terceiro setor. “Nós somos humanistas. É exatamente isso o que nos coloca aqui hoje. O que estamos fazendo aqui, em última instância, ao falar de educação, de ciência e de cultura, é falar sobre a aventura humana neste planeta”, disse Metsavaht em uma das mesas do Hub-E.

Outros brasileiros tiveram participação de destaque. O cineasta Duto Sperry lançou na ocasião o documentário “Keel” (quilha, em português). O filme mostra quem, desde empreendedores até instituições, está em busca de um mundo mais sustentável, mesmo diante do cenário adverso.

Venho filmando questões relacionadas ao meio ambiente há bastante tempo, as águas sempre foram revoltas e a luta, permanente. O filme ‘Keel’ propõe de certo modo uma curadoria da realidade, um olhar sobre o que está sendo feito de bom e de concreto pela sustentabilidade. Tem muita gente legal fazendo coisas legais – contou Sperry.

Em Milão, pudemos nos concentrar em temas mais transversais ligados ao clima. Era um grupo de pessoas ligadas no design do futuro, da indústria criativa, da transformação. Pessoas ligadas a essas vertentes e que têm um desejo comum, principal – completou ele, que já participou de delegações do Brasil em outras COPs.

Nomes importantes do comércio internacional também estiveram no evento, entre eles, Richard Muir, vice-diretor executivo da Câmara de Comércio de Glasgow, cidade onde foi realizada a COP26. “Queremos que as empresas se conectem, aprendam e negociem umas com as outras de maneira sustentável. A palavra-chave para isso é colaboração.”

Tom Noad, representante da Câmara de Comércio Britânica para a Itália, concorda. “Negócios são feitos de pessoas, e as pessoas se preocupam com o planeta e com o futuro de todos nós.”

Com experiência internacional no mercado corporativo, o coach Paolo Rovelli observa no seu dia a dia a mudança na mentalidade das empresas. “Pensar no meio ambiente é com certeza um agregador de valor e a sustentabilidade, o assunto do momento nas empresas, algo que cresce e é global”, afirmou Rovelli, em entrevista ao Há Limites. O italiano promoveu uma sessão de coaching com os convidados do Hub-E, na qual houve uma reflexão sobre a Terra, em que os participantes foram convidados a visualizar o planeta como uma mulher de 46 anos.

O vídeo com o dinossauro Frankie, feito pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), teve sua première no Hub-E

Rovelli trabalha com Nicolò Pirelli, membro da família que dá nome aos pneus e atualmente à frente de uma startup cujo carro-chefe é uma ferramenta online de desenvolvimento pessoal, com base em coach e neurociência. Pirelli também foi um dos convidados do encontro e, em sua fala, mostrou-se em sintonia com a evolução em prol da sustentabilidade e da importância de encontros como o Hub-E para potencializar as mudanças. “Tudo mudou desde que chegamos aqui. Este é apenas o primeiro passo para começar a mudar o mundo”, afirmou.

Empreendedores culturais também ajudaram a enriquecer a conversa do Hub-E. Constanza Etro, fundadora e diretora do Fashion Film Festival de Milão, falou sobre sua experiência para construir seu próprio evento. “Comecei a ver o que estava acontecendo na indústria da moda e achei que faltava uma abordagem sustentável.”

O evento aconteceu no charmoso bairro dos canais, Navigli, no hotel Magna Pars l’Hotel à Parfum, que pertence à família de Paolo Vico, italiano que por 25 anos trabalhou no mercado financeiro em Wall Street, e há dez entrou para o ramo da hospitalidade. Ele restaurou um antiquíssimo monastério, na Toscana, e o transformou em uma propriedade de aluguel de luxo, reutilizando materiais e transformando o restauro em uma ação sustentável.

O Argentaia é um conceito totalmente novo, uma experiência de alto luxo, onde o hóspede não se sente um turista, mas o proprietário da casa, onde ele tem acesso aos nossos vinhedos e à produção de azeite – contou ao Há Limites.

Participante do evento, Ricardo Daumas, cofundador e publisher da plataforma Há Limites, avalia que um dos principais méritos do Hub-E foi reunir diferentes visões sobre o tema da sustentabilidade. Ao realizar discussões entre hoteleiros, produtores culturais, gestores da área governamental e profissionais de outros setores o evento mostrou que as percepções sobre o desenvolvimento sustentável são ainda bastante distintas umas das outras. 

O filme New World Order, dirigido por Timur Celikdag, foi um dos vencedores do Fashion Film Festival Milano, criado por Constanza Etro, que participou do Hub-E

O desafio, acredita Daumas, é eleger prioridades e entender onde é mais importante reunir forças. “Para mim, a grande urgência é criar esse campo de diálogo. Para que seja construído esse repertório que possa ser reconhecido por todo mundo e, a partir disso, que todos consigam se mobilizar em um sentido que não seja único, mas que seja em uma mesma direção”, afirmou.

No encerramento do evento, Metsavaht reforçou a importância da troca de experiências para o avanço da agenda da sustentabilidade. “Espero que esse grupo de pessoas possa se tornar algo ainda mais forte, pois o poder da sinergia pode vir do amor, da ideologia e do ponto de vista empreendedor.”

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